Colecionando Vexames
Pelo Bruxo do Coral
Cá estava eu cuidando de meus afazeres de pai de família, — afinal, que seria de mim se abandonasse esposa e filhos para combater heresias? — quando me deparo com mais uma daquelas comédias escritas em forma de denúncia pela polícia da gnose. Por ter sido citado indiretamente pelo autor como sendo um sem-vergonha que “canta o sacro canto gregoriano publicamente mas entoa o hino da gnose nas reuniões secretas”, decidi dar minha contribuição, menos pelas palmadas no bumbum do Moleira — ainda vermelho pela surra recém levada numa resposta dada pelo Thales Gauze (aqui) — do que pela necessidade de alertar sobre a crise moral e intelectual dos nossos tempos, crise esta que fomenta a proliferação de aberrações morais e dá palco a personalidades completamente alienadas da realidade. Portanto, para não chover no molhado, este artigo tratará mais de aspectos psicológicos e sociológicos do que doutrinários, tema já abordado e esclarecido no artigo supracitado — bastando para compreendê-lo um pouquinho de QI e boa-vontade.
Acusação direta — Para o inferno!
Basta uma rápida lida nos artigos publicados pelo Moleira para notar de imediato o tom violentamente acusatório, a enorme má-vontade em compreender o que se lê e um ódio explícito contra quem quer que esteja fora da patota, incluindo os mortos. O apostolado da maledicência não perdoa ninguém. Experimente você, caro leitor, escapar um tiquinho do que ele prega e veja como em pouco tempo a fogueira da inquisição já estará armada para queimá-lo. Isso tudo, claro, sem que haja nenhuma correção fraterna, sem que ninguém venha caridosamente admoestá-lo. Danem-se você e sua família e seu guru e seus amigos! Atitude deveras cristã, não é mesmo? Vejamos o que as Sagradas Escrituras nos têm a dizer sobre isto:
15 Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão. 16 Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas. 17 Caso não lhes der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano. - Mateus 18, 15-17
Por ironia do destino, no capítulo seguinte Cristo fala sobre os escândalos, e seria salutar que o nosso Dom Quixote da tradição estenda a leitura até este ponto e medite um pouco sobre ele:
1 Irmãos, caso alguém seja apanhado em falta, vós, os espirituais, corrigi esse tal com espírito de mansidão, cuidando de ti mesmo, para que também tu não sejas tentado. 2 Carregai o peso uns dos outros e assim cumprireis a Lei de Cristo. 3 Se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana a si mesmo. 4 Cada um examine sua própria conduta, e então terá o de que se gloriar por si só e não por referência ao outro. 5Porque cada qual carregará o seu próprio fardo. - Gálatas 6, 1-5
O quê!? Você nunca viu o sr Moleira agir assim? Eu também não.
14 Pessoalmente estou convicto, irmãos, de que estais cheios de bondade e repletos de todo conhecimento e em grau de vos poder admoestar mutuamente. - Romanos 15, 14
Eu também estou convicto de que o senhor Moleira está cheio de bondade e repleto de todo conhecimento, pois até então não demonstrou ser um sujeito somático, odioso e tampouco analfabeto funcional, pois escreve sem afetação e compreende absolutamente tudo o que lê, amém!
Não citarei mais trechos, que são muitos, para não cansar o leitor, mas certamente o senhor Moleira encontrará alguma citação (que irrefletidamente ele copia e cola feito um computador de carne) para contradizer o que dizem as Sagradas Escrituras. Deus não se contradiz, não é mesmo? Detalhe fundamental é que isto deve ser realizado com quem flagrantemente cai em erro, sendo a presunção de boa-fé ponto fundamental no coração do católico, para que não se incorra em maledicência e não se arruíne de forma precipitada — e até por engano — a fama do próximo. Qualquer professor de catequese deveria saber disso, inclusive ser modelo de virtude para seus alunos, mas a crise moral e intelectual nos meios católicos tradicionais é hoje tão avassaladora que os excelsos santarrões não só não fazem o que ensinam, como fazem o oposto do que pregam.
Desrespeito aos Vivos e aos Mortos
A vilipendiação da fama não para por aqui, não cessa com a mera acusação dos vivos, mas ultrapassa o plano da vida terrena, chegando aos mortos, como ocorre com as ofensas dirigidas diretamente ao professor Olavo. Vejamos o que o nosso santo de oitava morada diz sobre o finado professor numa resposta odiosa ao artigo do Thales Gauze. Peço ao leitor que lance mão de um engov para encarar o trecho afetadíssimo e a escrita intragável do nosso santinho:
“Eis que o boca de bueiro, que pensa ser a sacristia seu chiqueiro esotérico, resolveu nos responder. E mostrando que aprendeu bem a lição do seu bezerro de barro, já em estado de putrefação, inaugurou o seu picadeiro com o costumeiro palavrão, contrastando sua boca de privada com a brancura do sobrepeliz. Responderemos em breve a esse pigmeu, tão inofensivo quanto o seu finado Guru. E por respeito ao sexto mandamento, que deve ser obedecido literalmente, e não simbolicamente, omitiremos os palavrões.”
Que gracinha, não é mesmo? Mais alguns elogios caridosos ao finado professor Olavo:
“Fizemos questão de desmascarar o livro herético de Matthieu Pageau, a fim de denunciar a seita dos olavetes que, infiltrada nos ambientes de Missa Tradicional, seduzem boas almas para as heresias cabalistas de Olavo e seus mestres perenialistas.
De forma dualista ou serpentina, querem essas crias do herege Olavo de Carvalho rezar o Credo e, ao mesmo tempo, vomitar e sujar as almas com seu fétido esoterismo.”
Que haja quem leia isto — católico ou não, partidário disto ou daquilo — sem notar a baixeza explícita e a falta de caridade para com o próximo, já é sintoma da crise moral que passamos. Uma sociedade onde se permite seja publicado e até elogiado um artigo como o do senhor Moleira é prova incontestável desta doença no meio “católico tradicional”.
O que tem a nos dizer o catecismo sobre isso?
§2477 – “O respeito pela reputação das pessoas proíbe toda atitude e toda palavra suscetível de lhes causar injusto dano. Torna-se culpado de juízo temerário quem, mesmo tacitamente, admite como verdadeira, sem fundamento suficiente, uma falta moral no próximo; de maledicência quem, sem razão objetivamente válida, manifesta os defeitos e as faltas de outrem; de calúnia aquele que, por afirmações contrárias à verdade, prejudica a reputação dos outros e dá ocasião a falsos juízos a respeito deles.”
§2479 – “A maledicência e a calúnia destroem a reputação e a honra do próximo. Ora, a honra é o testemunho social prestado à dignidade humana e cada qual goza de um direito natural à honra do seu nome, à sua reputação e ao seu respeito. Por isso, a maledicência e a calúnia ofendem a justiça e a caridade.”
§2507 – “O respeito pela reputação das pessoas proíbe toda atitude ou palavra suscetível de causar-lhes dano injusto.” - Catecismo da Igreja Católica
É certo que nada disso deveria ser dito, pois o nosso Moleira é dotado de ciência infusa e tem razões muito graves para acusar e vilipendiar a fama do professor Olavo — já morto —, tudo em prol da defesa católica, claro. O senhor Moleira não só é inteligentinho como sonda rins e corações, sabendo o que de mais oculto há na alma do finado professor, por mais que este tenha confessado sua participação e se afastado da tariqa do Schuon, passando a denunciar o plano de infiltração islâmica através de livros e cursos. Mas tudo isto é bobajada e não conta, pois o senhor Moleira leu e assistiu a todos eles e sabe que aquilo é pura empulhação. Que Olavo também tenha sido assistido pelos sacramentos no fim da vida, também de nada vale. E na suposição de ele ter sido tudo aquilo que nosso caluniador profissional diz, o fato de ter recebido os sacramentos da confissão no fim da vida já bastaria para que não se tocasse nesse assunto sem correr o risco de cair em juízo temerário. Obviamente não faltarão motivos para que se encontrem justificativas para ofender um morto e seus alunos. Sempre há, pois a mente trabalha independentemente da verdade e do evidente criando seus enredos. Não à toa se chama mentira. Daí começam as neuroses, que logo mais trataremos.
Neurose e covardia
É típico do burguês a desconexão entre a realidade substancial de uma determinada coisa e a mera aparência formal com que ela se apresenta, optando pelo apego fetichista à última e desprezando a primeira, como se a mera emulação ou pose de imagens lhe conferisse, ipso facto, todo conteúdo substancial do objeto de apego. Para ele não importa ser substancialmente virtuoso, mas parecê-lo. Não basta ser santo, mas que o vejam como tal. Deve-se respeitar as instituições, as burocracias, os papéis sociais, as poses, os cargos, enfim, as “autoridades”, mesmo que sejam usurpadores, bandidos, incapazes ou pilantras. Não digo que o burguês seja assim por maldade, mas por incapacidade cognitiva, por délicatesse, por má educação e criação. Para ele é difícil compreender o nexo entre as duas coisas e que a aparência meramente formal e externa é o corolário de um sujeito lapidado internamente pela aquisição de uma virtude, e o problema começa quando a esta educação — planejada para estupidificar as pessoas há pelo menos um século — se soma uma doutrina moral rígida e mal interpretada.
Incapaz de equacionar a fraqueza humana própria e o ideal de santidade, inteligência e virtude, o burguês católico soi-disant tradicionalista vai entrando numa angústia sufocante e avassaladora que descamba nos piores escândalos, daí os que abandonam tudo, fogem de casa, desprezam família, esposa, religião e comunidade para respirar o ar puro, pois o fardo que se impuseram era demasiado pesado, obviamente contrário ao imposto por Cristo. Mas se o fardo era pesado, não era o imposto por Cristo, e se era de Cristo, não deveria produzir escândalos.
A volta do filho pródigo, quando ocorre, não se dá aqui por arrependimento, mas por remorso. É demasiado vergonhoso saber que estão pensando mal de quem se tem em tão alta conta, é preciso voltar, mas não só isso, é preciso projetar em seus desafetos a feiura de seus pecados e destruí-los para assim livrar-se deles e retomar a reputação de defensor da doutrina. Mas a discrepância continua e o fardo imposto pelos deveres de estado e o ideal de perfeição continuam a esmagar o sujeito até ele ceder novamente. Os escândalos sucessivos são efeitos inescapáveis que demonstram a falta de vergonha na cara de quem realmente não se arrependeu. Não será combatendo os vilões criados pelo seu teatro imaginário que se dará a cura, mas pela introspecção, pelo voltar-se para si, pelo abandono desse ideal orgulhoso de perfeição e do desejo de ser aceito.
Burrice
Somente a resposta nervosa dada ao Thales Gauze já forneceria material para um grande estudo de caso devido ao estilo afetado e sórdido do autor, à pose de superioridade, ao ódio profundo contra o próximo, etc., mas irei me ater a um outro ponto fundamental, isto é, à ausência completa de uma equação entre signo, significado e referente nas coisas que o sr Moleira diz, pois a utilização por ele de ofensas que não sejam consideradas palavrões mostra seu nível primário de alfabetização.
O sujeito que xinga alguém de “filho da puta” não necessariamente quer significar que a mãe do ofendido esteja rodando bolsinha, mas está se valendo de um artifício linguístico para expressar uma emoção. O palavrão, portanto, pode ser utilizado como uma válvula de escape para emoções não controladas, mas também serve como artifício retórico para quem sabe manuseá-lo; também serve como descrição da realidade, caso a mãe do nosso exemplo realmente seja uma prostituta. No primeiro caso, temos aqui um exemplo utilizado pelos jovens ou apaixonados (no sentido técnico da palavra); no segundo, já temos uma utilização mais refinada por tratar-se de um artifício linguístico, pois quem se vale do palavrão o faz para produzir um efeito e não como quem sofre uma paixão, ou seja, aqui se trata de um agente. Mas e quando pegamos o caso do nosso Moleira, que lança suas imprecações polidinhas? Dá-se o mesmo com o garoto que, após sentir-se ofendido, sai xingando a mãe dos outros, com a diferença de que o senhor Moleira está infectado de burguesismo católico, pois “filho da puta” pega mal aos olhos da comunidade, então vamos xingá-lo de boca de bueiro, de serpente de sobrepeliz, de guru, de tariqeiro, de cabalista, de perenialista, disso e daquilo. Em ambos os casos temos crianças ofendidinhas querendo expor a raivinha, um por uma certa imaturidade da idade, e o outro pela imaturidade emocional apesar dos anos nas costas. Gente assim só vi no ensino fundamental, nos cursos de humanas das Federais e na pessoa do Sr Moleira. Afinal de contas, que é guru? Que é seita, tariqeiro, cabalista, perenialista? Para que essas palavras tenham referente, deve-se provar cabalmente a associação entre signo, significado e referente, mas para o Moleira basta coletar partes esparsas de trechos aqui e acolá e tachar o sujeito disso. Pronto! Menos um herege! (que eu considero um filho da puta, mas não digo por respeito ao sexto mandamento). O sujeito faz uma afirmação dessas e não percebe a marca do fariseu que segue algo porque está escrito e não porque a inteligência lhe informou que tal coisa é errada. Sem inteligência não se educa, se adestra.
Por falar em inteligência, qualquer leitor primário que passe os olhos sobre os artigos do Moleira percebe de imediato a total ausência desta faculdade como ferramenta operativa, percebe o uso das vírgulas que denunciam a insegurança de um sujeito vaidoso, o abuso de metáforas, o pedantismo de quem cita livros que não leu em línguas que desconhece e a incapacidade do autor de se compreender o que se escreve, sobretudo o que se lê. Quer um exemplo? O sr Moleira alerta em seu artigo que os “ambientes tradicionais” estão infectados de hereges perigosíssimos na sacristia e no coral:
Como células cancerígenas, que se espalham pelo organismo, o esoterismo olavético — câncer modernista — se alastra e infiltra até mesmo nos ambientes tradicionais. Pupilos da serpente guenoniana, não se incomodam de arrotar palavrão — até mesmo na sacristia — e ir, sem dor de consciência, receber Cristo na Eucaristia. Não se importam de professar e divulgar doutrinas cabalistas e vestir, na Missa Tridentina, batina e sobrepeliz. Não veem problema em consultar o horóscopo, numa página qualquer, e cantar, dominicalmente, o Sacro Canto Gregoriano. Essa é a seita perenialista do Olavo de Carvalho, ainda viva como um câncer nos meios tradicionais.
Ora, acusar alguém de heresia não é pouca coisa. Sendo assim, como pode o padre nada fazer? Se o padre sabe e nada faz, é conivente e cúmplice de heresia, pois tem autoridade para impedir tal avanço; se não sabe, é burro e desavisado. Tertium non datur. E agora, Moleira? O padre é burro por não saber, ou cúmplice por aceitar? Saiba o Moleira ou não, este é o corolário do seu raciocínio. Ademais, Moleira, o senhor sabia ou não das consequências implícitas em seu raciocínio? Se sabia, consequentemente vê o padre como burro ou como cúmplice de heresia; se não sabia, o burro é você, que não entende o que escreve. Tertium non datur.
Como é possível que um sujeito se meta a examinador de heresias e nas primeiras cinco linhas do seu artigo meia boca já se veja obrigado, pela lógica interna do seu discurso, a ter de escolher entre a confissão da própria burrice e a acusação a um padre? Como pôde a inteligência de um sujeito chegar a tal baixeza a ponto de, nas primeiras cinco linhas, armar uma arapuca para si mesmo e nela cair? Como é possível um cidadão minimamente sensato levar a sério o senhor Moleira? Mas num tempo em que compilar trechos de refutação é sinal de inteligência, ficou fácil passar-se por gostosão intelectual aos olhos dos outros, bastando apenas que o leitor esteja no nível de analfabetismo do autor.
Incapaz de realizar um ato de inteligência, de explorar e abstrair camadas mais sutis e profundas de um fenômeno, o sr Moleira se contenta em comparar trechos por ele considerados suspeitos com citações de doutrina (falarei deste fenômeno em breve). É como uma criança que pergunta ao pai o que é um pássaro, obtém por resposta “é o que tem asas e voa” e sai pregando que aviões são pássaros, mesmo que lhe digam o contrário, afinal, a doutrina deixa claro que pássaro é aquilo que tem asas e voa. E certamente ficará muito brabinho com quem disser o contrário ou oferecer outro ponto de vista por ele nunca imaginado.
Partidarismo religioso e maniqueísmo
Quando nascemos, somos lançados no mundo e nele somos vítimas de circunstâncias que ultrapassam nossa capacidade de compreensão. Uma criança de cinco anos cujo pai foge de casa não está pronta para lidar com tal circunstância; tampouco um bebê que nasce numa situação de guerra. Todos nós passamos por situações em que as circunstâncias ultrapassam a capacidade de compreensão do que se passa ao nosso redor, e para isso nos valemos de um símbolo de razão, pois aquilo que não compreendemos, alguém compreende. Sejam nossos pais, seja o padre da Igreja, seja o partido comunista, seja a doutrina católica, seja o guru perenialista... se algo da realidade me oprime a ponto de eu não saber descrevê-la e me ordenar a partir dessa descrição, sou levado a buscar quem possa realizá-la, e assim me ordenar novamente no mundo. Mas ocorre que, no desenvolvimento da personalidade, nos deparamos com a possibilidade de compreender o que se passa ao nosso redor, de modo que aos poucos abandonamos certos símbolos de razão que antes eram indispensáveis e assim agimos com maior autonomia, dado que a razão agora é capaz de agir por si. Esses símbolos podem ser trocados com o tempo, conforme novas circunstâncias incompreensíveis vão se apresentando à vida. Mas faz parte do processo de amadurecimento que o sujeito vá ganhando autonomia devido ao desenvolvimento de sua inteligência. Não preciso pedir permissão ao meu pai ou ao padre para saber se posso ir ao bar tomar uma cerveja, mas talvez seja salutar a um pai de primeira viagem apegar-se a um patriarca bem vivido e tomar conselhos dele sobre a criação dos filhos e do gerenciamento da casa.
Ocorre que tais símbolos de razão podem fixar-se na personalidade e impedir o desenvolvimento das pessoas de modo a fazer com que a razão não se desenvolva, e a doutrina católica pode exercer um papel funesto quando utilizada por idiotas presunçosos, já que praticamente há milhares de princípios morais e de conduta que devem ser seguidos. O ponto está em que esses princípios são gerais e requerem uma interpretação da inteligência, e como a crise da inteligência transformou o tradicionalista num primor de orgulho e vaidade, a mera leitura e a crença na compreensão do que ali está escrito lhe conferirá autoridade não só sobre o que ele faz, mas sobre o que os outros fazem, e tudo o que estiver fora do campo por ele delimitado será visto como perigoso, tal qual uma criança superprotegida que não sai na rua para jogar bola porque seus pais o impediram, pois ela não sabe se é seguro ou não, mas assim lhe disseram. Mas o problema não para aí. É preciso escorraçar as demais crianças que jogam bola, pois elas estão lidando com coisas perigosas. No fundo, o sentimento subjacente e motor do rad-trad é a inveja, pois a inteligência do sujeito está clamando por um esclarecimento como o corpo da criança clama por movimento, mas ele se apegou a um símbolo de razão que o bloqueia. Daí esse maniqueísmo, essa busca por destruir tudo o que não é do seu meio. O mundo fora da doutrina católica imaginado pelo sr Moleira é mau e deve ser destruído, pois no fundo ele queria mesmo era brincar de bola, mas pelo que lhe disseram… é perigoso. A vida de todos deve ser insuportável como a dele, pois é a verdadeira vida. Todos os livros que ele não aprova devem ser proibidos, todas as músicas, as companhias, as roupas, as festas, tudo, absolutamente tudo deve passar pelo crivo da “sã doutrina” do sr Moleira. Pelos frutos os conhecereis. Quem não vê que essa atitude, em vez de ajuntar, afasta as pessoas da Igreja? Quem não vê que esta é precisamente a função do diabo como descrita na bíblia? Nenhuma pessoa normal suporta um tal sufocamento e um fardo tão pesado. A verdadeira célula cancerígena não é a gnose do teatro imaginário criado pelo sr Moleira, mas a inveja e a falta de conhecimento de si, motor de todos os vexames que este sujeito volta e meia adora passar.
"Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pela desgraça do próximo e o desprazer causado por sua prosperidade." - São Gregório Magno
Sapientiam autem non vincit malitia
Não escrevo para idiotas. Faço este artigo com dois intuitos:
O primeiro, com a finalidade de alertar aos que estão flertando com este tipo de gente e aos que irrefletidamente tomam como verdade o que leem do sr Moleira, de modo a acender a luz vermelha de suas inteligências para o perigo de se dar ouvidos a qualquer analfabeto vaidoso que saia copiando e colando trechos da doutrina católica a torto e a direito, sobretudo quando a vida do defensor da sã doutrina não condiz com o que ele prega, pois não pode atualizar num outro quem não tem a coisa em ato. Que o leitor que ainda for capaz de olhar para a realidade o faça e não se deixe enganar por retórica barata.
O segundo intuito foi uma modesta defesa — na medida do que me foi permitido pelo tempo — do professor Olavo e de amigos gratuitamente ofendidos. Espero após este artigo haja ainda algum resquício de vergonha na cara do senhor Moleira, pois é preciso deixá-lo ciente que qualquer pessoa minimamente decente enxerga como vil e desprezível a maledicência contra os mortos, atitude típica de seres mesquinhos e covardes.
De cabo a rabo, escrevi este artigo em sete partes, não porque creia esteja aqui encerrado tudo o que deva ser dito, mas para sintetizar o título do artigo, as sete partes e o apelido carinhosamente dado pelos alunos do professor Olavo aos membros da montfaible de “polícia da gnose”, sendo o senhor Moleira um agente mui especial, um 007, sendo 0 inteligência, 0 consciência moral e 7 vexames.
Para alegrar nossos corações, cantemos juntos numa só voz:
Isso pra mim é aposentadoria de malandro (2x)
Foi sangue ruim a vida inteira e depois de velho quer virar santo (2x)Esse era o cara
Que quando era novo fumava e bebia
Não tinha amigos, não tinha família
Onde passava era só confusão
Fez falcatrua
Roubou de cego e de aleijado
Mas hoje em dia entrou pra igreja
E diz que tá regeneradoIsso pra mim é aposentadoria de malandro (2x)
Foi sangue ruim a vida inteira e depois de velho quer virar santo (2x)Deu cheque sem fundo
Tomou emprestado e não pagou
Vendeu aquilo que não era dele
E até os amigos ele caguetou
Ganhou tanta grana
Comprou jatinho e lancha a motor
Depois de rico entrou pra igreja
E hoje diz que é pastorIsso pra mim é aposentadoria de malandro (2x)
Foi sangue ruim a vida inteira e depois de velho quer virar santo (2x)Quando via um mendigo
Tratava sempre na porrada
Pintava e bordava com a filha dos outros
E largava depois que enjoava
Mas hoje em dia
Faz sermão, dá grito e reclama
Diz que sexo sem casamento
É coisa de gente sacanaIsso pra mim é aposentadoria de malandro (2x)
Foi sangue ruim a vida inteira e depois de velho quer virar santo (2x)
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